terça-feira, 25 de agosto

O que é cobertura compartilhada?

Durante o Festival de Cultura do Paraná, além dos grupos mostrarem sua arte e debater cultura, poderão também produzir conteúdos midiáticos sobre o que acontece no evento. A proposta é, por meio da prática da cobertura compartilhada, entender o processo de contrução da notícia e, principalmente, fazer comunicação sem intermediários.

A iniciativa inspira-se nas experiências do Fórum Social Mundial e parte da compreensão que pontos e entidades culturais devem também ser sujeitos ativos na sua comunicação com a sociedade. Abaixo, segue a proposta da cobertura compartilhada no FSM 2009, em Belém do Pará. O material foi retirado do site do Forum de Rádios. Veja na íntegra aqui.

CONCEITO

A comunicação compartilhada é a possibilidade de participar de uma ação midiática coletiva ou trabalho de cobertura livre e/ou jornalística de eventos de interesse social , através da troca de esforços e conteúdos entre meios e pessoas envolvidas com a comunicação não corporativa ou de mercado. Tem característica de resistência à lógica neoliberal de gestão controlada da comunicação ao contrapor a troca solidária às práticas competitivas de mercado e ao abordar temas de interesse jornalístico, social, cultural ou político sem o viés mercantilista utilizado pelos grandes meios.

De diferentes formas o conceito tem sido aplicado por iniciativas organizadas no universo do Forum Social Mundial, como Ciranda (internacional e reunindo meios diversificados), Fórum de Radios (radios alternativas e comunitárias), Fórum de TVs (meios audio visuais) e Laboratórios Livres (geralmente de difusão de cultura digital), além de iniciativas de alcance continental, como Minga e Flamme D’Afrique e outras coberturas colaborativas de radio, a exemplo da Púlsar.

Esse conceito também está presente na apropriação de ferramentas disponíveis na internet, a exemplo de sites como Indymedia ou Estúdio Livre e foi incorporado pelo FSM através dos sites FSM Process e, WWW.FSM2008.net, WWW.wsftv.net e, agora, o WWW .openfsm.net.

Além das iniciativas e espaços virtuais existe também um processo de construção de grupos e redes que se encarregam da gestão dessas iniciativas e dos quais participam comunicadores(as) ligadas ao FSM, movimentos e redes de comunicação, feministas, movimento negro e educomunicação.

AS TRÊS EXPERIÊNCIAS BASE

A proposta central das mídias alternativas para Belém tem muita similaridade com a logística criada em Porto Alegre, no FSM 2005 e com as interconexões criadas para a edição descentralizada de 2008, com o chamado que o FSM fez para um Dia de Ação e Mobilização Global. A novidade está na combinação das duas com as propostas que vierem das regiões pan-amazônicas em 2009.

1ª – Projetos compartilhados

Imagem da redação da Ciranda - Belém, 2009

Imagem da redação da Ciranda - Belém, 2009

As práticas de comunicação contra-hegêmonica de 2005 se deram através da construção, pelas mídias e movimentos midiáticos, de quatro projeto compartilhados que fizeram coberturas colaborativas: um pelas redes de rádios comunitárias, livres e populares (Fórum de Rádios), outro pelos vídeo-ativistas em parceria com algumas emissoras de caráter público (Fórum de TVs), outro de articulação entre diferentes projetos de cobertura de texto e foto para internet, boletins e mídias impressas, marcando também a quinta edição da Ciranda, e um laboratório de conhecimentos livres, reunindo tecnologias e saberes livres e caracterizado fortemente pelo conceito de auto-gestão. Participaram projetos representativos de experiências do Fórum Social das Américas, como a Minga dos Movimentos Sociais, e do FSM em construção na África, como a produção do jornal impresso diário Flamme d’Afrique. As experiências de 2005 ofereceram o formato para atividades em Caracas-2006 e para uma cobertura compartilhada em Nairobi-2007.

2ª – FSM como ação global

Ao decidir que o FSM em 2008 não seria um evento, mas um chamado para ações e mobilizações pelo mundo todo, o Conselho Internacional do FSM transportou o encontro naquele ano para o território da comunicação. Foi preciso que atividades em diferentes lugares do planeta estabelecessem conexões e comunicassem agendas e perfomances, recursos e dificuldades, lutas e contextos políticos, entre si. A comunicação descentralizada contou com novas ferramentas e estratégicas, como a organização simultânea de entrevistas de lançamento do Dia de Ação Global, site multilinguistico para troca informações sobre atividades, um site de troca pública de vídeos e uma articulação de coberturas alternativas de radio (fórum de rádios) e de textos e fotos na 8 edição cirandeira.

3ª – Articulações da floresta

Os Encontros Sem Fronteira vêm sendo realizados desde o I Fórum Social Pan-Amazônico e estas serão as experiências articuladoras da comunicação da floresta rumo ao FSM 2009. Os encontros Pan-Amazônico e das duas Comissões do Conselho Internacional (Comunicão e Metodologia) em Belém, em julho, foram decisivos para a estratégia de garantir que os povos da floresta sejam portadores de seus próprios conceitos, linguagens e formas para o processo de comunicação do fórum. Os GTs de Comunicação e de Cultura, integrados por organizações da floresta, trabalharão em conjunto com as entidades mobilizadoras dos Encontros Sem Fronteiras, para que as ações de expressão desses povos sejam priorizadas desde os encontros que ocorrerão antes do FSM nas regiões de Macapá, Alto Solimões, Alto Rio Negro, Região do Rio Madeira e Madre de Dios, áreas de divisa com as Guianas, Suriname, Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia e com os Estados do Acre, Amapá, Roraima, Rondônia e Amazonas. Representantes desses encontros também participarão da construção dos projetos compartilhados, especialmente de radio, pela maior presença na floresta.

ORIENTAÇÃO METODOLÓGICA

A estratégia: mobilizar para comunicar

A dimensão política que a Comunicação terá na edição do FSM 2009 se expressa na proposta encaminhada pelos Grupos de Mobilização e de Mobilização durante Seminário da Comissão de Metodologia do Conselho Internacional, em julho, em Belém. Mais que definir as ferramentas institucionais centralizadas para difundir o FSM, a estratégia proposta é entrelaçar as ferramentas e linguagens utilizadas/os no universo FSM para uma construção colaborativa. Nesse sentido, o principal chamado proposto para a edição 2009 do FSM é o de Mobilizar Para Comunicar – situando a comunicação como ação política e não apenas canal de circulação/difusão de informações.

O método: colaborativo

Mídias, pessoas, organizações, recursos, conhecimentos e saberes deverão ser parte de esforços e iniciativas de comunicação já na preparação das atividades rumo ao FSM. Serão valorizadas as formas e linguagens da comunicação da pan-amazônia, já a partir dos encontros sem fronteiras, envolvendo movimentos de area de floresta dos diversos paises da regiao. Haverá interconexão entre o GT de Comunicação e o GT de Cultura, e muito diálogo com as organizações da floresta. O site (openfsm.net) O GT de Comunicação já está criando grupos gestores dentro dessa plataforma para construção colaborativa das diversas possibilidades de comunicação.

Infra-estrutura: acolhida e compartilhamento

O projeto de infra-estrutura do FSM será montado no sentido de receber as mídias alternativas através de grandes projetos de acolhida onde seja possível produzir colaborativamente: fórum de rádios, fórum de tvs, ciranda, laboratórios, etc. A Comunicação precisa concluir as demandas de infra-estrutura mas basicamente contará com um ginásio só para suas atividades, uma centena de computadores para uso comum, outros 30 só para edição colaborativa das mídias alternativas, estúdio de radio para produção de grade conjunta entre redes, um laboratório de conhecimentos livres e ainda estamos demandando as ilhas de ediçao para um forum de tvs que faça produções de programas diários.

Divulgação: Comunicar para mobilizar

A difusão de informações de interesse geral sobre o FSM será feita por meio de cartilha informativa em diversas línguas, produção de vídeo, boletins e um site do evento que conterá links para os demais sites existentes do processo de construção do FSM e de sua Comunicação, além da produção do programa da nona edição.

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